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Como o hidrogênio se transforma em combustível?

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Visando um futuro neutro de carbono, o uso do hidrogênio verde (H2V) como combustível tem assumido papel de destaque entre as fontes de energias renováveis, pois trata-se de um elemento químico abundante no universo. O H2V é produzido com eletricidade originada de fontes de energia limpa e renovável como hidrelétrica, eólica, solar, biomassa e outras que não possuem emissão de CO2.

O que tem dificultado a sua utilização é justamente a sua produção. O hidrogênio é altamente inflamável e só existe a partir da combinação de outros elementos. O sol é composto aproximadamente por 78,5% de hidrogênio, que está em fusão com outros elementos em reação. Na terra, a composição da água é por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio (H²O). O desafio atualmente é separar esses elementos.

Segundo Tomiji Odaka, diretor da América Eficiência, uma das formas de realizar essa separação é pela hidrólise, aplicando energia no processo de purificação. O conceito de H2V surge da energia que será aplicada. Se for de origens fósseis, será classificado como Cinza (aborda a rota tecnológica de produção de hidrogênio a partir de reforma a vapor de gás natural); caso emita algum poluente, será classificado como Azul (produção de hidrogênio a partir de gás natural, com captura e sequestro de carbono); se for de fontes renováveis, será Verde; e, a partir de pirólise de metano sem emissão de CO2 com formação de coque, será denominado Hidrogênio Turquesa.

Segundo o Anuário EPE 2021, em 2018, a energia consumida no mundo foi de 25.474 TWh. Desse total, 63,5% são de origem de combustíveis fósseis como Petróleo e Carvão. Com todas as mudanças necessárias para o mundo alcançar a redução de carbono, a troca de combustíveis fósseis para o H2V é mais do que necessária. Para se ter ideia, alguns países já definiram metas zero para 2030 e outros para 2050, aumentando a pressão pela produção de energias renováveis.

“O grande desafio é substituir a matriz energética fortemente utilizada no período industrial moderno, baseada em combustíveis fósseis, por hidrogênio. Caminhões, trens, embarcações, aviões e veículos serão convertidos para a utilização do hidrogênio. Com essas ações, haverá uma redução drástica de emissão de poluentes, que irá contribuir para frear o aquecimento global e suas consequências, as quais já estamos observando”, explica Odaka.

No Brasil, a demanda por hidrogênio está alocada nos segmentos de fertilizantes (50%), refino (37%), químico (8%) e metalurgia/alimentos, (Qual percentual?), sendo 95% de origem fóssil, predominantemente gás natural. O tipo de indústria que irá atuar fortemente com o hidrogênio nos próximos 10 anos será a indústria de:

• Alimentos, para transformar gorduras insaturadas em saturadas;

• Metalurgia, incluindo ligas metálicas e calcinação;

• Soldagem com hidrogênio atômico;

• Vidros planos, usados para evitar oxidação e defeitos durante a fabricação;

• Eletrônica, para criar semicondutores; e

• Medicina, para produzir o peróxido de hidrogênio (H2O2), gás terapêutico para uma série de doenças.

Além disso, nas indústrias, os fornos e as caldeiras poderão ser substituídos por H2V, bem como tecnologias como o CHP - Combinet Heat & Power, que deverão despontar para reduzir o custo da energia, combinando com geração de vapor.

Assim, a expectativa é de que haja uma demanda de H2V nas organizações e a sua comercialização em um futuro próximo.


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